sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Entrevista Summum Heredis - Pilares Zine

Entrevista da Summum Heredis cedida ao Pilares Zine do nobre Funest.


1 – Salute Satanae! Salve Supremo Herdeiro Taijasa! Uma bestial Honra ter vossa presença nas  sangrentas páginas da Pilares Zine. Inicie falando um pouco da Summum Heredis, desde seu primórdio até as noites atuais. E nos fale um pouco sobre a nomenclatura Summum Heredis!

Taijasa - Saudações nobre Funest! A Summum Heredis teve seu início no mês de outubro do ano 2012 deste calendário vulgar. As primeiras ideias partiram do Adai e do Armando que já haviam participado juntos na Gehena em 1993/1994. Quando me convidaram sugeri o Sebok, que já havíamos tocado juntos no retorno da Nashemah, que resistiu de 2008 até o inicio de 2010. O nome Summum Heredis se deu por carregarmos em nossos aspectos físicos e espirituais atavismos das mais diversas culturas decorrentes da busca pela divinização do homem. As letras são o resultado dessa busca, baseadas não só no ocultismo ou mitologia, mas sim daquele que faz da vida a busca em si mesmo.

2 – Esse mundo condenado em que vivemos, foi amaldiçoado no ano bastardo de 2015, com o sombrio e mistico Debut álbum da Horda Summum Heredis, levando o próprio nome em seu título.  Uma atmosfera mistica e Sinistra compõem esse opus, de forma poética e agressiva. Ficou muito foda, difícil de sair do meu play. Nos fale um pouco desse artefato, suas principais influências, como tem sido a divulgação do mesmo, e as críticas recebidas por parte dos aliados do Submundo!

Taijasa - Quando concluímos as 7 primeiras músicas, decidimos que era hora de lançar um debut, embora o tempo total do trabalho não seja tão extenso, era aquilo que queríamos lançar, pois as mesmas foram criadas em consonância com todos os aspectos que fundaram a egrégora Summum Heredis, ou seja, a realização da obra! As maiores influencias foram do que eu consumia nos anos 90 e inicio dos anos 2000, fiquei um bom tempo afastado me dedicando a questões pessoais, fato que me impossibilitou de conhecer muitas coisas novas, obras incríveis e transcendentais. Os responsáveis pelo lançamento de nosso debut, foram a Erinnys Productions e a Culto ao Metal Distro. Que fizeram um excelente trabalho quanto à divulgação. As críticas na maioria foram positivas, o que superou nossas expectativas e nos encheu de orgulho, pois muitos acolheram as sementes que espalhamos e esse é o objetivo.
Orgulho da obra e não egos inflados! 

3 - “Desprendemo-nos da condição de submissão e da natureza de escravos”. ( Essa frase pode ser encontrada no release da Horda). Como descrevem esse despertar contra a lei demiúrgica? A horda é declaradamente Satânica, Anticristã /ou tem um envolvimento mais estreito com o Ocultismo?

Taijasa - Todos carregam na essência, a centelha divina, centelha essa que conecta o microcosmo com o macrocosmo, a verdadeira religião. A ligação do ser com o grande útero, a escuridão, de onde viemos e para onde vamos. Porém nem todos despertam para essa busca, e esses são os acorrentados, os submissos que vagam ao embalo de uma suposta “ordem cósmica”. Portanto a egrégora Summum Heredis não se declara isso ou aquilo, já que o objetivo é despertar a busca individual de cada um. Porém é Satânica, somos o oposto da massa, é anticristã, somos contra qualquer dogma que limita o ser e tem uma relação com o ocultismo já que desenvolvemos e nos libertamos através do conhecimento. Mas nossa relação mais estreita é com a vida... e muito mais estreita com a morte. Nascer, Morrer e Renascer! Sempre!

5 – “Eu tenho a Espada e o Cálice, O Fogo Sagrado da Serpente me ilumina. Eu sou um Homem, eu sou um Deus” (tradução livre de “My Heaven's Dark”). Percebo o alto teor e Espiritualidade Luciferiana em vossos Hinos. De acordo com suas filosofias, como você descreveria O Portador da Luz, o Adversário e o Caluniador. Haveria diferença entre Lúcifer e Satanás? Quem ou o que seria o Diabo.

Taijasa - Exatamente meu caro! Glória a Lúcifer, o Libertador!!!
Embora não gosto de me apegar a rótulos/definições ou qualquer outro limitador, não só em minhas composições, como na minha vida, o Luciferianismo exerce extrema influencia, pois o engrandecimento se dá através da Iluminação, mas isso não me impede de “beber de outras fontes” dentro do LHP, uma vez que o Metal Negro é a conseqüência do que vivo e não motivação do que busco.
Eu não considero Lúcifer e Satanás os moesmos, apesar de algumas religiões e seus seguidores os considerarem assim. Primeiramente a etimologia já possui uma diferença gritante, um é o Portador da Luz e o outro o Adversário, o Inimigo. Como arquétipos, ambos fazem parte de nossa formação, e como Deidade, Divindade já se relaciona a dogma, o que não cabe questionamento. Já o Diabo, eu pessoalmente adoro o Diabo! Se não fosse o Diabo, de quem seria a culpa?


6 – Existem atualmente algumas Ordens e bons Escritores dedicados as escrituras Sinistras em nosso Pais. O que tem te chamado a atenção nos últimos tempos? És ou já foi membro de alguma Ordem? Tem interesse e/ou admiração por alguma atualmente?

Taijasa - Há tempos temos incontáveis ordens e ótimos escritores em nosso país.
Com o advento da internet, essas ordens, escritores vieram a tona, embora pareça que a internet sempre esteve presente em nossas vidas, não faz tanto tempo assim. Hoje é muito mais fácil conhecer, adquirir e até mesmo conhecer e questionar os próprios escritores. Temos vários “portais” de ontem jorram informações e chega ser impossível absorver tudo, e nos mostra que existe uma infinidade para conhecermos, parafraseando Sócrates: “- Só sei que nada sei!”. Mata o ego e nos atenta quanto ao caminho das ilusões. Quanto aos que têm chamado atenção, para não correr o risco de esquecer algum, citarei somente dois que conheço pessoalmente e partilhamos algumas experiências, que são Pharzhuph e sua obra ímpar Lucifer Luciferax, entre outros que o mesmo está lançando atualmente e Lilith Ashtart, que possui ótimos textos e acompanho desde o blog “For my fallen Angel” e também a 2ª edição de sua obra Lux Æterna lançado há pouco tempo. Tem  também muitos colaboradores com textos incríveis no portal Morte Súbita Inc. Admiro algumas Ordens sim e dado ao fato de eu ter participado de uma Ordem no passado, sei que não é o tempo de eu me afiliar em nenhuma no momento.

5- Em sua opinião, qual é a importância, levando em conta os tempos atuais, de Demo Tapes, Zines xerocados, troca de cartas, e-mails, coisas que há poucos anos atrás eram muito comum e atualmente é meio que esquecido...?

Taijasa - Gosto muito do CD, MP3 e demais modernidades que facilitaram num aspecto geral para nós, exceto os folgados que se escoram nessas “facilidades”. Mas não podemos deixar que a chama de outrora se apague. É de extrema importância mantermos a tradição das DTs, Zines, CD7”, para conservar a cultura underground para os futuros adeptos. É inevitável não aderirmos as tecnologias que em muitos aspectos facilitam nossa vida,  como no caso dos contatos, hoje conversamos instantaneamente com qualquer um independente de qual lugar do globo esteja, reconheço que não tem o mesmo romantismo que as cartas escritas a próprio punho, que demoravam a chegar e causavam certas surpresas.
                                                                     
6 – Sei que é de certo, algo muito difícil de responder, mas diga-nos, o que o Metal Negro representa em sua vida? Como e quando você começou a se envolver nesse místico e maravilhoso estilo de viver? Lembra-se do primeiro Disco que adquiriu na época? E das primeiras Demos e Zines?

Taijasa - Desde criança fui muito apegado a música, gostava de rock, com a adolescência conheci o Heavy Metal, ouvia (ouço) muito Iron Maiden e muitas outras, as mais clichês, mas foi com o Mercyful Fate, especificamente o álbum Don’t Break the Oath que me encantou pela temática, até que um dia um grande amigo me apresentou Venom (At war with Satan), e comecei a procurar materiais do gênero, aí conheci Amen Corner, os primeiros do Sepultura, Samael, Mayhem, Dark Throne, Rotting Christ e por aí foi. Isso tudo me despertou para o oculto, embora desde criança já adorava filmes de suspense e terror com temáticas satanicas, mas foi o Metal Negro que abriu as portas do abismo para que eu enxergasse toda beleza existente, mas fato é, abriu as portas, mas não me conduziu pelo caminho. Em seguida vieram as bandas, os contatos, as primeiras demos, não lembro exatamente qual foi a primeira, mas entre as primeiras estão Gehena, Regredior, Lugubre, Mortius, muitas dessas o Adai que me passou. Os Zines, tinha varios, pois como não tinhamos dinheiro nem para o “xerox” cada um comprava um e compartilhava.

7 – Além da Summum Heredis, sei que já foi membro de outras Hordas do Submundo nos idos dos anos 90, como por exemplo a Angel of Light. Nos fale um pouco sobre as hordas que já fez parte. E nos fale, tentando fazer uma comparação, do Underground que era vivido naquela época, e o que é vivido nas noites atuais. O que apontaria como pró e como contra?

Taijasa - Participei de algumas que registramos somente alguns ensaios como é o caso da Phosphorus (que antes chamava-se Azamarack, não Amasarac) e outras que acabaram se perdendo com o tempo. Em 1998 substitui o Adai na Nashemah e em 1999 participei da gravação da DT- Baron Samedi e em 2009 gravamos algumas musicas mas não chegamos a lançar, mas agora com a ajuda do Carlindo da Nekrokaos Distro espalharemos essa maldição até então enterrada. No final 2001 fui convidado a tocar na Angel of Light, onde fiquei até 2004. Registramos duas apresentações e compomos material para lançar um novo CD, mas não gravamos, não deu tempo. Nessa época era tudo muito difícil, desde a aquisição de instrumentos, até mesmo local de ensaio, os eventos não ocorriam com tanta freqüência, mas sempre que tinha o pessoal comparecia independente da distancia, acho que a dificuldade tornava aquilo mágico. Hoje existem vários estúdios, você consegue comprar um bom instrumento e pagar em infinitas parcelas, o que facilitou muito. A vivencia no underground da época era muito mais intensa, ainda há eventos que resgatam essa atmosfera, mas são poucos.

8 – Como descreveria uma celebração ao vivo da Horda Summum Heredis? Ainda não tive o prazer de presenciar uma celebração de vocês, mas espero remediar isso muito em breve. Aproveite e nos revele o que a horda leva em consideração antes de aceitar ou recusar um convite para tocar ao vivo.

Taijasa - Pessoalmente considero algo transcendental, pois me conecto com o mais profundo de meu ser e sinto romper a barreira que separa o físico do espiritual, é extasiante! 
Sempre que recebemos um convite consideramos desde a organização, o cast, ou seja, todo o conjunto e pesamos de todos os lados para ver se realmente vale a pena. Já fomos julgados, enfim cada um tem o direito de pensar o que quiser, mas uma coisa eu garanto, jamais prostituímos ou prostituíremos nossa arte. Somos cientes de cada passo dado.

9 – Quais os Próximos Planos para a Summum Heredis? Tive a satisfação de ouvir um Hino mais novo da Horda, sob o batismo de: “Sob a Negra Luz” e pra mim foi uma grata surpresa ver um hino tão foda e dessa vez cantado em português. A mudança de idioma seria uma novidade na Horda, ou serão apenas alguns Hinos em português em seus trabalhos? O que podem nos adiantar?

Taijasa - Nossos próximos planos incluem o lançamento de um split com a Netzach de Manaus, que esta com previsão para o segundo semestre, diminuíremos as apresentações dado ao pouco tempo que temos parta nos dedicar a obra, e nosso foco está em compor novas canções. Sobre o idioma, Sob a Negra Luz foi a primeira composição em português, e gostamos do resultado, mas não será uma regra.

10 – Salute Frater Taijasa, uma honra e satisfação ter vosso apoio e registrar vossas blasfemas no Pilares Zine! Torço para que nos reencontremos novamente em breve, ee brindemos em calices sob o manto de Hecate! Um grande abraço! As ultimas palavras são suas! Hail Summum Heredis!

Taijasa - Sentimos-nos muitos honrados pelo espaço em tão belo artefato. Encontraremos-nos com certeza para brindarmos nossa união e o nosso underground!
Liberte-se de sua própria prisão.
Compreenda-se como parte do todo e do nada.
Empunhe tua espada e beba de teu cálice.

Goze a vida e deleite-se na morte!

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