Entrevista da Summum Heredis cedida ao Pilares Zine do nobre Funest.
1 –
Salute Satanae! Salve Supremo Herdeiro Taijasa! Uma bestial Honra ter vossa
presença nas sangrentas páginas da
Pilares Zine. Inicie falando um pouco da Summum Heredis, desde seu primórdio
até as noites atuais. E nos fale um pouco sobre a nomenclatura Summum Heredis!
Taijasa - Saudações nobre Funest! A Summum Heredis teve seu início
no mês de outubro do ano 2012 deste calendário vulgar. As primeiras ideias
partiram do Adai e do Armando que já haviam participado juntos na Gehena em
1993/1994. Quando me convidaram sugeri o Sebok, que já havíamos tocado juntos
no retorno da Nashemah, que resistiu de 2008 até o inicio de 2010. O nome
Summum Heredis se deu por carregarmos em nossos aspectos físicos e espirituais
atavismos das mais diversas culturas decorrentes da busca pela divinização do
homem. As letras são o resultado dessa busca, baseadas não só no ocultismo ou
mitologia, mas sim daquele que faz da vida a busca em si mesmo.
2 –
Esse mundo condenado em que vivemos, foi amaldiçoado no ano bastardo de 2015,
com o sombrio e mistico Debut álbum da Horda Summum Heredis, levando o próprio
nome em seu título. Uma atmosfera
mistica e Sinistra compõem esse opus, de forma poética e agressiva. Ficou muito
foda, difícil de sair do meu play. Nos fale um pouco desse artefato, suas
principais influências, como tem sido a divulgação do mesmo, e as críticas
recebidas por parte dos aliados do Submundo!
Taijasa - Quando concluímos as 7 primeiras músicas, decidimos que
era hora de lançar um debut, embora o tempo total do trabalho não seja tão
extenso, era aquilo que queríamos lançar, pois as mesmas foram criadas em
consonância com todos os aspectos que fundaram a egrégora Summum Heredis, ou
seja, a realização da obra! As maiores influencias foram do que eu consumia nos
anos 90 e inicio dos anos 2000, fiquei um bom tempo afastado me dedicando a
questões pessoais, fato que me impossibilitou de conhecer muitas coisas novas,
obras incríveis e transcendentais. Os responsáveis pelo lançamento de nosso debut,
foram a Erinnys Productions e a Culto ao Metal Distro. Que fizeram um excelente
trabalho quanto à divulgação. As críticas na maioria foram positivas, o que
superou nossas expectativas e nos encheu de orgulho, pois muitos acolheram as
sementes que espalhamos e esse é o objetivo.
Orgulho da obra e não egos inflados!
3 -
“Desprendemo-nos da condição de submissão e da natureza de escravos”. ( Essa
frase pode ser encontrada no release da Horda). Como descrevem esse despertar
contra a lei demiúrgica? A horda é declaradamente Satânica, Anticristã /ou tem
um envolvimento mais estreito com o Ocultismo?
Taijasa - Todos carregam na essência, a centelha divina, centelha
essa que conecta o microcosmo com o macrocosmo, a verdadeira religião. A
ligação do ser com o grande útero, a escuridão, de onde viemos e para onde
vamos. Porém nem todos despertam para essa busca, e esses são os acorrentados,
os submissos que vagam ao embalo de uma suposta “ordem cósmica”. Portanto a
egrégora Summum Heredis não se declara isso ou aquilo, já que o objetivo é
despertar a busca individual de cada um. Porém é Satânica, somos o oposto da
massa, é anticristã, somos contra qualquer dogma que limita o ser e tem uma
relação com o ocultismo já que desenvolvemos e nos libertamos através do
conhecimento. Mas nossa relação mais estreita é com a vida... e muito mais
estreita com a morte. Nascer, Morrer e Renascer! Sempre!
5 –
“Eu tenho a Espada e o Cálice, O Fogo Sagrado da Serpente me ilumina. Eu sou um
Homem, eu sou um Deus” (tradução livre de “My Heaven's Dark”). Percebo o alto
teor e Espiritualidade Luciferiana em vossos Hinos. De acordo com suas
filosofias, como você descreveria O Portador da Luz,
o Adversário e o Caluniador. Haveria diferença entre Lúcifer e Satanás? Quem ou
o que seria o Diabo.
Taijasa - Exatamente meu caro! Glória a Lúcifer, o Libertador!!!
Embora não gosto de me apegar a rótulos/definições ou qualquer outro
limitador, não só em minhas composições, como na minha vida, o Luciferianismo
exerce extrema influencia, pois o engrandecimento se dá através da Iluminação, mas
isso não me impede de “beber de outras fontes” dentro do LHP, uma vez que o
Metal Negro é a conseqüência do que vivo e não motivação do que busco.
Eu não considero Lúcifer e Satanás os moesmos, apesar de algumas
religiões e seus seguidores os considerarem assim. Primeiramente a etimologia
já possui uma diferença gritante, um é o Portador da Luz e o outro o
Adversário, o Inimigo. Como arquétipos, ambos fazem parte de nossa formação, e
como Deidade, Divindade já se relaciona a dogma, o que não cabe questionamento.
Já o Diabo, eu pessoalmente adoro o Diabo! Se não fosse o Diabo, de quem seria
a culpa?
6 – Existem atualmente algumas Ordens e bons Escritores dedicados
as escrituras Sinistras em nosso Pais. O que tem te chamado a atenção nos
últimos tempos? És ou já foi membro de alguma Ordem? Tem interesse e/ou
admiração por alguma atualmente?
Taijasa - Há tempos temos incontáveis ordens e ótimos escritores em
nosso país.
Com o advento da internet, essas ordens, escritores vieram a tona,
embora pareça que a internet sempre esteve presente em nossas vidas, não faz
tanto tempo assim. Hoje é muito mais fácil conhecer, adquirir e até mesmo
conhecer e questionar os próprios escritores. Temos vários “portais” de ontem
jorram informações e chega ser impossível absorver tudo, e nos mostra que
existe uma infinidade para conhecermos, parafraseando Sócrates: “- Só sei que
nada sei!”. Mata o ego e nos atenta quanto ao caminho das ilusões. Quanto aos
que têm chamado atenção, para não correr o risco de esquecer algum, citarei
somente dois que conheço pessoalmente e partilhamos algumas experiências, que
são Pharzhuph e sua obra ímpar Lucifer Luciferax, entre outros que o mesmo está
lançando atualmente e Lilith Ashtart, que possui ótimos textos e acompanho
desde o blog “For my fallen Angel” e também a 2ª edição de sua obra Lux Æterna lançado há pouco tempo. Tem também muitos colaboradores com textos
incríveis no portal Morte Súbita Inc. Admiro algumas Ordens sim e dado ao fato
de eu ter participado de uma Ordem no passado, sei que não é o tempo de eu me
afiliar em nenhuma no momento.
5- Em
sua opinião, qual é a importância, levando em conta os tempos atuais, de Demo
Tapes, Zines xerocados, troca de cartas, e-mails, coisas que há poucos anos
atrás eram muito comum e atualmente é meio que esquecido...?
Taijasa - Gosto muito do CD, MP3 e demais modernidades que
facilitaram num aspecto geral para nós, exceto os folgados que se escoram
nessas “facilidades”. Mas não podemos deixar que a chama de outrora se apague.
É de extrema importância mantermos a tradição das DTs, Zines, CD7”, para
conservar a cultura underground para os futuros adeptos. É inevitável não
aderirmos as tecnologias que em muitos aspectos facilitam nossa vida, como no caso dos contatos, hoje conversamos
instantaneamente com qualquer um independente de qual lugar do globo esteja,
reconheço que não tem o mesmo romantismo que as cartas escritas a próprio
punho, que demoravam a chegar e causavam certas surpresas.
6 –
Sei que é de certo, algo muito difícil de responder, mas diga-nos, o que o
Metal Negro representa em sua vida? Como e quando você começou a se envolver
nesse místico e maravilhoso estilo de viver? Lembra-se do primeiro Disco que adquiriu
na época? E das primeiras Demos e Zines?
Taijasa - Desde criança fui muito apegado a música, gostava de rock,
com a adolescência conheci o Heavy Metal, ouvia (ouço) muito Iron Maiden e
muitas outras, as mais clichês, mas foi com o Mercyful Fate, especificamente o
álbum Don’t Break the Oath que me encantou pela temática, até que um dia um
grande amigo me apresentou Venom (At war with Satan), e comecei a procurar
materiais do gênero, aí conheci Amen Corner, os primeiros do Sepultura, Samael,
Mayhem, Dark Throne, Rotting Christ e por aí foi. Isso tudo me despertou para o
oculto, embora desde criança já adorava filmes de suspense e terror com
temáticas satanicas, mas foi o Metal Negro que abriu as portas do abismo para
que eu enxergasse toda beleza existente, mas fato é, abriu as portas, mas não
me conduziu pelo caminho. Em seguida vieram as bandas, os contatos, as
primeiras demos, não lembro exatamente qual foi a primeira, mas entre as
primeiras estão Gehena, Regredior, Lugubre, Mortius, muitas dessas o Adai que
me passou. Os Zines, tinha varios, pois como não tinhamos dinheiro nem para o
“xerox” cada um comprava um e compartilhava.
7 –
Além da Summum Heredis, sei que já foi membro de outras Hordas do Submundo nos
idos dos anos 90, como por exemplo a Angel of Light. Nos fale um pouco sobre as
hordas que já fez parte. E nos fale, tentando fazer uma comparação, do
Underground que era vivido naquela época, e o que é vivido nas noites atuais. O
que apontaria como pró e como contra?
Taijasa - Participei de algumas que registramos somente alguns
ensaios como é o caso da Phosphorus (que antes chamava-se Azamarack, não
Amasarac) e outras que acabaram se perdendo com o tempo. Em 1998 substitui o
Adai na Nashemah e em 1999 participei da gravação da DT- Baron Samedi e em 2009
gravamos algumas musicas mas não chegamos a lançar, mas agora com a ajuda do
Carlindo da Nekrokaos Distro espalharemos essa maldição até então enterrada. No
final 2001 fui convidado a tocar na Angel of Light, onde fiquei até 2004.
Registramos duas apresentações e compomos material para lançar um novo CD, mas
não gravamos, não deu tempo. Nessa época era tudo muito difícil, desde a
aquisição de instrumentos, até mesmo local de ensaio, os eventos não ocorriam
com tanta freqüência, mas sempre que tinha o pessoal comparecia independente da
distancia, acho que a dificuldade tornava aquilo mágico. Hoje existem vários
estúdios, você consegue comprar um bom instrumento e pagar em infinitas
parcelas, o que facilitou muito. A vivencia no underground da época era muito
mais intensa, ainda há eventos que resgatam essa atmosfera, mas são poucos.
8 –
Como descreveria uma celebração ao vivo da Horda Summum Heredis? Ainda não tive
o prazer de presenciar uma celebração de vocês, mas espero remediar isso muito
em breve. Aproveite e nos revele o que a horda leva em consideração antes de
aceitar ou recusar um convite para tocar ao vivo.
Taijasa - Pessoalmente considero algo transcendental, pois me
conecto com o mais profundo de meu ser e sinto romper a barreira que separa o
físico do espiritual, é extasiante!
Sempre que recebemos um convite consideramos desde a organização, o
cast, ou seja, todo o conjunto e pesamos de todos os lados para ver se
realmente vale a pena. Já fomos julgados, enfim cada um tem o direito de pensar
o que quiser, mas uma coisa eu garanto, jamais prostituímos ou prostituíremos
nossa arte. Somos cientes de cada passo dado.
9 –
Quais os Próximos Planos para a Summum Heredis? Tive a satisfação de ouvir um
Hino mais novo da Horda, sob o batismo de: “Sob a Negra Luz” e pra mim foi uma
grata surpresa ver um hino tão foda e dessa vez cantado em português. A mudança
de idioma seria uma novidade na Horda, ou serão apenas alguns Hinos em
português em seus trabalhos? O que podem nos adiantar?
Taijasa - Nossos próximos planos incluem o lançamento de um split
com a Netzach de Manaus, que esta com previsão para o segundo semestre,
diminuíremos as apresentações dado ao pouco tempo que temos parta nos dedicar a
obra, e nosso foco está em compor novas canções. Sobre o idioma, Sob a Negra
Luz foi a primeira composição em português, e gostamos do resultado, mas não
será uma regra.
10 –
Salute Frater Taijasa, uma honra e satisfação ter vosso apoio e registrar
vossas blasfemas no Pilares Zine! Torço para que nos reencontremos novamente em
breve, ee brindemos em calices sob o manto de Hecate! Um grande abraço! As
ultimas palavras são suas! Hail Summum Heredis!
Taijasa - Sentimos-nos muitos honrados pelo espaço em tão belo
artefato. Encontraremos-nos com certeza para brindarmos nossa união e o nosso
underground!
Liberte-se de sua própria prisão.
Compreenda-se como parte do todo e do nada.
Empunhe tua espada e beba de teu cálice.
Goze a vida e deleite-se na morte!
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